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O país e o mundo enfrentam a pandemia de um novo vírus, a COVID-19, que vem colocar em debate nossas formas tradicionais de vida, convivência e práticas profissionais, académicas, sociais e governativas. Esta pandemia afeta a todas as pessoas e coloca desafios diversos a todas as categoriais sociais. Entretanto, os impactos desta crise pandémica não atingem a todos da mesma forma, pois os interesses e as necessidades de uns e outros são diferentes, e logo, devem ser discutidos, tratados e resolvidos, atendendo às especificidades de cada setor. Diante deste novo quadro, que traz consigo muitas incertezas, a Universidade de Cabo Verde, através do CIGEF e da Coordenação do Curso de Ciência Sociais (Faculdade de Ciências Sociais, Humanas e Artes), no âmbito das suas atribuições de Extensão Universitária, traz para o debate público, o Ciclo de Conversas em tempo de COVID 19, em parceria com o UNFPA (Nações Unidas), através da “live”, via Facebook (https://www.facebook.com/cigef.unicv/), visando trazer à reflexão e ao debate temas diversificados relacionados com as novas mudanças e intervenções organizativas em tempo de pandemia (COVID 19).

Serão trazidas para a discussão, questões ligadas à interação familiar, à conjugalidade, à paternidade e ao exercício de parentalidade e do poder, questões de ordem psicológica, práticas educativas inclusivas, saúde e práticas de higiene, inclusão dos grupos mais vulneráveis, imigrantes, mulheres rabidantes e do meio rural, mulheres com deficiência, população LGBTQI e Violência com base no Género, Cultura Organizacional; igualmente serão discutidas as questões ligadas aos assentamentos informais, tendo em conta o contexto de pandemia e distanciamento social, etc.

Público-alvo: Esta atividade visa atingir a sociedade de uma forma geral, pelo que será realizada através do “live”, de forma a atingir o maior número de pessoas possível.

A mesma deverá ocorrer semanalmente às quintas-feiras, às 18h (hora de Cabo Verde), sendo que, em cada semana traremos um tema específico que contará com uma ou duas pessoas convidadas para fazer a sua reflexão sobre a questão em causa. Durante as sessões, o público poderá participar enviando mensagens com sugestões e perguntas. A reação a estas será feita pelos/as intervenientes, numa parte final do programa, reservada para o efeito.

Este evento começou no dia 23 de Abril de 2020. Aconteceram já três sessões, sendo que as próximas sessões acontecerão nas próximas semanas.

A sessão do dia 23 de Abril intitula-se “Exercício de Paternidade” e os convidados foram o Dr. Paulino Moniz (Sociólogo e Ativista/Laço Branco) e o Professor Doutor Emanuel Silva (Professor/Uni-CV/ENG/CIGEF). A moderação esteve a cargo da Professora Doutora Carmelita Silva (UNICV-FCSHA/CIGEF). Trata-se de uma sessão onde se discutiu a responsabilidade paternal, que tem sido uma questão bastante debatida em vários países e Cabo Verde não tem sido uma exceção. Nesse contexto de crise provocada pela pandemia do novo Coronavírus, o debate em torno desta questão particular torna-se necessário.

https://www.youtube.com/watch?v=IIlW5dFhaVU

Neste sentido, propôs-se nesta sessão, uma reflexão que busca articular as dimensões afetivas, económicas e jurídicas em torno da questão da paternidade. Portanto, além de trazer ao debate uma abordagem sociológica do problema, foi possível abordar a paternidade como um direito e ao mesmo tempo um dever irrenunciável e insubstituível, conforme vem consagrado nos vários instrumentos jurídicos do país (Constituição da República, Código Civil e Código Penal).  

No dia 30 de Abril foi trazido ao debate o tema “Género e VBG: Dinâmicas de interações familiares e VBG em tempos de pandemia”. As convidadas dos painéis foram a Professora Doutora Carmelita Silva (Uni-CV-FCSHA/CIGEF) e a Mestre Janilsa Gonçalves (Psicóloga clínica e da Justiça, Portugal). A violência VBG/VD é um problema social que faz parte da dinâmica de interação de famílias das mais diversas classes sociais, raças, geografias e de diferentes períodos históricos. O espaço casa que deveria representar, para os seus membros, lugar de segurança e de partilha de afetos, é o ambiente onde, as mulheres e meninas, de modo particular, parecem ser mais ameaçadas.

https://www.youtube.com/watch?v=IznXnW0VC_E

Em contextos de pandemia, como a provocada pelo novo COVID19, que exige o confinamento social obrigatório, o problema da violência pode potencializar-se. Com efeito, ao implicar: i) perda de empregos no setor informal de atividades e sobrecarga de trabalho doméstico, afetando mulheres e meninas de forma particular e ii) convivência forçada entre os integrantes dos agregados familiares, tal situação pode exacerbar tensões na família e, por conseguinte, as violências, uma situação particular que torna-se mais difícil, diante da dificuldade e restrição de acesso às redes de apoios formal e informal e de reduzida mobilidade.

Neste sentido, à luz dos dados globais e da revisão da literatura, propôs-se trazer para o debate a questão da correlação entre o isolamento social em contexto da pandemia da COVID-19 e o aumento da VBG/VD, particularizando as situaçõesexercidas contra as mulheres. 

A terceira sessão, intitulada “Abordagens Socio-Antropológicas da Economia Cabo-Verdiana”, aconteceu no dia 07 de Maio, visando responder à questão “Como pensar o desenvolvimento económico sem incluir as mulheres?”. A sessão teve como convidados, o Mestre em Ciências Sociais Paulo Veríssimo (CIGEF) e a Professora Doutora Tatiana Reis, Historiadora e Professora da Universidade Estadual do Maranhão, Brasil. A moderação esteve a cargo do Professor Doutor João Brito, Presidente da ENG (Uni-CV).

https://www.youtube.com/watch?v=d67vrHRMiSY

Os projetos de desenvolvimento desenvolvimentistas precisam ser pensados a partir das questões de género. As mulheres são as principais agentes de transformação económica e social. Em contexto de crise económica (e na atual conjuntura, crise sanitária) elas são as mais afetadas e dessa forma torna-se importante refletirmos sobre as medidas a serem implementadas pelos governantes, que possibilitem formas mínimas de sobrevivência para a população feminina, particularmente aquela que está ligada às atividades informais e com menor remuneração. Partindo de um debate entre a Economia, a Sociologia e a Antropologia na análise dos fenómenos económicos, nesta sessão pretendeu-se mostrar a necessidade, sobretudo a nível institucional, de uma abordagem sócio-antropológica na economia cabo-verdiana, particularmente do chamado comércio ou economia informal, permitindo uma melhor compreensão da sua dinâmica, variedade de atividades e atores envolvidos e, sobretudo, o desenho e a implementação de políticas públicas mais eficazes a nível local, para este sector, que emprega sobretudo mulheres. Neste sentido, esta comunicação se interliga com os ODS 1 (Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares), 3 (Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades) e 8 (Promover o crescimento económico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo, e trabalho decente para todos.

Para quinta-feira, dia 7 de Maio o tema do debate intitula-se "Os desafios da pandemia para a cultura organizacional - o caso de Cabo Verde". Os convidados são o Professor Doutor Adilson Semedo (FCSHA), e o Professor Doutor Vladmir Silves Ferreira Ciências Sociais (ECAA). Têm como moderadora a Professora Doutora Carla Carvalho (ENG/CIGEF). 

https://www.youtube.com/watch?v=MzwkiI6QnHo

Esta sessão visa discutir a forma como essa pandemia evidencia a complexidade em que vivemos e expõe os limites do modelo de gestão sociopolítica vigente na nossa sociedade, sustentado essencialmente na liderança. Trata-se de um exercício reflexivo que problematiza as principais facetas de modernização da sociedade cabo-verdiana com os seus riscos inerentes, expostos pela atual crise. As mesmas articulam-se com os ODS 16, “Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis”; por outro, irão incidir-se sobre os potenciais impactos da pandemia COVID-19 sobre os sistemas alimentares (produção, circulação e consumo). A crise, na sequência da COVID-19, poderá provocar uma retração na expansão da indústria agro-alimentar e abrirá espaço para a discussão de novas proposições de desenvolvimento rural que incorporem não apenas variáveis técnico-produtivas e económicas, mas também valores éticos, sociais e culturais. Princípios como soberania, autonomia, solidariedade, justiça social, respeito à cultura e tradições locais poderão ser incorporados nas relações de produção e consumo. O mesmo articula-se com o ODS 2, “Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável”.

De realçar que nas próximas semanas teremos a continuidade das sessões, sendo que sempre que possível, teremos convidados tanto da Uni-CV, como de outras instituições, seja fora ou dentro do país, de forma a potenciar diálogos entre académicos, ativistas, especialistas, e entre os diferentes espaços geográficos.

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